12/4/09
Óleos de Frituras
Gert Roland Fischer (*)
A crise do petróleo alavancou os preços os combustíveis fósseis. O aquecimento global causado em parte pelas emanações de CO² na combustão de hidrocarbonetos, vem emporcalhando a atmosfera. Essa perigosa coleção de problemas, apresenta atenuantes. Os combustíveis alternativos, amigos do ar que respiramos, passam agora ser valorizados.
Inúmeras organizações com fins lucrativos, recebem, graciosamente os óleos e gorduras de frituras - OGFRI, originados nas cozinhas e no setor prestador de serviços. Um dos “argumentos” subliminarmente transmitidos aos doadores voluntários, é evitar lançá-los nas pias e ralos para não contaminar o ambiente natural. Essa preciosa matéria-prima se transforma em sabonetes, sabões, biodiesel e lubrificantes - produtos de significado valor econômico.
Muitos programas de coleta, nada ou pouco oferecem aos doadores voluntários. Os negócios gerados envolvem milhões de reais de lucro. Em Salvador – Bahia - por exemplo, uma só intermediária negocia mais de um milhão de litros de OGFRI por mês, que são revendidos para clientes que os transesterificam em biodiesel e glicerol. Os lucros são encorajadores. No Rio de janeiro a Disque Óleos de fritura, trabalha com 150.000 litros/mês pagando pelos OGFRI de boa qualidade valores que alcançam R$ 0,80 por litro.
Estima a APREMA-SC em cem mil litros/mês de OGFI que alcançam a bacia hidrográfica do Rio Cachoeira, criando significativos problemas ambientais. Informa a ONG em seu projeto, que grande parte dessa matéria-prima poderá ser recolhida de forma apropriada para beneficio da própria cidade. Além de permitir a melhora da qualidade de vida do cidadão, carros-resgate de corporações de Bombeiros Voluntários, ao utilizar o combustível natural reduzem custos operacionais, poluição atmosférica e hídrica.
O projeto inédito de propriedade da APREMA-SC denominado Reciclar óleos e gorduras de frituras, mostra de forma simples e solidária, como o povo pode reduzir os índices de poluição sem que os Governos se metam para atrapalhar. O projeto mostra a motivação positiva permanente dos doadores; beneficia as Corporações de Bombeiros voluntários; reduz emissões de CO²; reduz a poluição dos recursos hídricos. O apelo maior do projeto diz respeito a inclusão social dos carrinheiros e catadores de lixo, garantindo-lhes emprego e renda. As cooperativas de catadores e carrinheiros ao serem beneficiadas com o Projeto, serão revigoradas pela garantia permanente de doações, reduzindo a vulnerabilidade do sistema.
A APREMA-SC tem deflagrado campanhas de educação ambiental com alguns parceiros e assim, sem qualquer gasto público, os OGFRI deixarão de ser problemas e se tornarão soluções.
Deve-se atentar aos desvios involuntários de conduta que ocorrem pela disputada matéria-prima. Trata-se de grande perda quando é bandeada para outros municípios. Com essa perda, deixam de ser atendidas oportunidades que poderiam beneficiar o social local, O lado mais perverso de algumas coletas é que permitem o sucesso econômico de atores privados – muitos sequer compromissados com o sócio-ambiental das localidades onde aconteceram as doações voluntárias. Os OGFRI deveriam pertencer às comunidades que os geram. O projeto proposto pela APREMA-SC resgata essa propriedade. Pela magnitude da proposta, além de não gerar despesas e envolvimentos com a autoridade publica, beneficia o sistema de coleta de esgotos; reduz a poluição pela ausência do enxofre no biocombustivel e deixa de impactar os recursos hídricos.
(*) Gert Roland Fischer - Presidente da APREMA-SC
Fone (47) 3422 4874 aprema@aprema.com.br
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